sábado, 26 de setembro de 2009

Batalhão de Artilharia 645

Agora que andei arrumando papéis encontrei algumas folhas que dizem respeito ao meu Batalhão. De 1964 a 1966 estive em Mansoa, na Provincia da Guiné. Eu era 'amanuense' palavra antiga que quer dizer escriturário da Companhia de Comando e Serviços (CCS) do Batalhão de Artilharia 645. E fui encontrar estas relíquias. Uma folha com os nomes dos que lá ficaram: A Ordem de serviço nº 165 de 4/8/1965 em que consta a minha transferência do BCaç600 para o BArt645. Quando chegámos à Guiné o nosso Batalhão ficou instalado no aquartelamento do BCaç600 para desenrascar, durante uns 5 meses como se pode ler nesta página em Referência de Gratidão. Quando o Quartel em Mansoa ficou pronto o nosso Batalhão mudou-se para lá mas os 8 soldados acima mencionados, eu incluído, ficámos em Bissau para tratar de todos os assuntos relativos ao nosso Batalhão. Terminado esse trabalho, apresentámo-nos em Mansoa. Este assunto está todo mencionado nesta Ordem de Serviço:Esta é a Ordem de Serviço nº 76 de 31 de Março de 1965 que trata de muitas entradas e saídas e alguns Louvores, incluíndo o meu...
... nesta página:
Na última página pode ver-se a assinatura do nosso Comandante Tenente-Coronel de Artilharia António Braancamp Sobral:
E nesta folha uma licença para mim:
Aqui está a folha onde consta o meu Recenceamento Militar em 1962:
E esta o verso desta mesma folha:
Outra licença:
E aqui um curioso Boletim de Casamento entre as gentes da Guiné. Como escriturário era costume passar-me pelas mãos muitos destes documentos para conhecimento do Comandante. Como ainda não havia fotocopiadoras nós tinhamos que copiar assim:

Versos do meu filho:

Estes versos que encontrei nas minhas velharias já devem ter uns bons 35 anos. Eram versos que toda a gente ensinava ao meu filho qando ele tinha uns 5 anos. As pessoas obrigavam-no a decorar os versos e ele passava a vida e recitá-los por todo o lado. São versos populares e muito conhecidos por toda a gente, tirando o 'perfume da Safol' que era de Olhão. Safol era uma fábrica de Olhão que havia aqui nessa altura. Não era só esta mas dezenas delas que proliferavam por toda a vila (naquele tempo ainda era vila). Hoje já muito poucas existem e já não há cheiros, felizmente. Mas há 40 anos atrás ainda estávamos a alguns quilómetros de distância e já se começava a sentir o perfume das fábricas, agora imaginem o que era viver cá. Com o tempo a gente habituava-se mas não era fácil. Felizmente que Olhão hoje é uma cidade perfeitamente normal onde se vive muito bem. Até é bom recordar coisas de outros tempos.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Viking Club - Vilamoura:

Este restaurante já não existe, embora no seu edifício esteja outro diferente que não tem nada a ver com este. Era um restaurante de luxo, tinha os melhores profissionais da altura e das redondezas. Tinha um óptimo bar, uma belíssima cervejaria, um grande 'night club', uma refrescante taberna mas o melhor era o resturante. O empregado que se vê na foto da direita atendendo os clientes sou eu. Eu era o chefe de mesa e o pianista é o João Maurilio. Serviamos jantares ao som de música de piano. No tempo em que Vilamoura era uma agradável aldeia. Estive lá entre 1978 a 1980. Encontrei este prospecto há dias e fez-me recordar outros tempos.

Como eu vi a Índia:

Como já disse tenho por hábito folhear revistas velhas que vou acomulando com o tempo. Parece que descubro sempre qualquer coisa que não vi da primeira vez. Adoro lê-las ao pequeno almoço. Manias. Esta manhã chamou-me a atenção este artigo de Luís Mieiro do Expresso. Na revista Única nº 1811 de 13/7/2007 deste jornal, com o título "O Chão da Índia" este jornalista disse exactamente tudo o que eu senti na primeira vez que eu fui à Índia em 1976 e pelos vistos tudo continua na mesma. Ler este artigo é precisamente como se fosse eu a escrever as minhas memórias. Estou absolutamente convencido de que qualquer pessoa que já tenha ido à Índia concordará com este artigo, a menos que voçê não tenha saído do hotel. Também conheço gente assim. Gente que só conhece os hotéis. Clique na foto para ler o artigo.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O Diploma da 4ª Classe:

Este diploma tem passado as 'passas do Algarve'. Foi uma trabalheira para conseguir tirá-lo. Alguns anos depois de ter saído da Casa Pia houve por lá uma remodelação que atirou com os registos dos exames para outras escolas das redondezas. Quando em 1970 precisei de tirar a Carta de Condução não sabia onde estava o livro com o registo do meu exame. Na véspera de fazer exame ainda eu calcorreava Lisboa procurando. Mesmo à última da hora consegui saber que o tal livro talvez tivesse ido para a Escola da Picheleira. A Picheleira fica por detrás do Cemitério do Alto de S. João. Nunca eu tinha estado na Picheleira e para lá me desloquei. Não foi fácil. O tempo corria e eu enervava-me. Naquele tempo eram só descampados e fui encontrar a Escola num vale perdida no meio do nada. Felizmente a professora que me atendeu foi muito simpática e só a sua boa vontade é que permitiu encontrar o dito livro numa arrecadação muito desarrumada. Entreguei o diploma mesmo ao fechar da porta, mas consegui fazer o exame e passei. Depois, durante muitos anos andou perdido. Quando mudei de casa encontrei-o. Mudar de casa tem certas vantagens. Primeiro porque a gente só se apercebe do lixo que todos os dias carregamos para casa quando temos que tirar tudo, separar e jogar fora o que não interessa. Depois porque se encontram coisas de que já não nos lembrávamos e outras que nos deixam surpreendidos por ainda existirem. Foi o caso do Diploma. Encontrei-o e fiquei contente. Mais anos passaram e voltei a perder-lhe o rasto. A última vez que mudei de casa tive que deitar fora mais de 500 livros que se estragaram na cave do prédio onde morava. Felizmente lá estava o Diploma vivinho da silva. Agora, depois de reformado, aprendi a manejar um computador e tratei logo de o digitalizar. Assim já não me foge. E ajuda-me a refrescar a memória das velharias encontradas.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Diário de uma dona de casa num cruzeiro no oceano:

Este papel com esta história está na minha mão desde 1974, ano em que começei a navegar a bordo de navios de cruzeiros. Era o Tss Fairstar e esta história era muito popular nessa altura. Mais uma recordação encontrada:

sábado, 19 de setembro de 2009

Grândola Vila Morena:

Arrumando a tralha de muitos anos que todos os dias trazemos para casa, dei com este papel com mais de 30 anos: a letra da canção revolucionária Grândola Vila Morena. Será que lhe apetece cantá-la? Pois aqui tem a letra, assim já não se engana nem se engasga, a menos que seja do contra. Divirta-se.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

As Bajudas da Guiné Portuguesa:

Agora que me reformei, tenho andado a vasculhar as recordações. E não é que encontrei estas fotos antigas de que já nem me lembrava. Fiz a minha comissão de serviço no Comando Territorial Independente da Guiné, de 1964-1966, hoje um país independente chamado Guiné-Bissau. Fiz parte do Batalhão de Artilharia 645 estacionado em Mansoa e era 'amanuense' na secretaria do comando. Era Comandante do Batalhão o Tenente-Coronel António Brancamp Sobral, mais conhecido pelo 'cavalo branco' devido à sua corpulência, altura e cabelos brancos. A alcunha não era nossa mas dos próprios 'turras' que o temiam e admiravam. E nós éramos conhecidos pelos 'Águias Negras' porque no nosso brasão havia uma águia negra tricéfala. Na altura estas fotos eram proíbidas, porque atentavam à moral, mas eram fácilmente adquiridas. Bajuda, na Guiné significa rapariga.
Aqui temos uma bajuda Mandinga, de Farim. Na Guiné Portuguesa os Mandingas encontravam-se localizados, ao Norte, junto da fronteira da África Ocidental Francesa e, a leste, na região dos Fulas pretos. Uma das características curiosas dos Mandingas é o regime de castas nas quais observam uma rigorosa endogamia. O Mandinga é polígamo. Pratica a circuncisão a qual é realizada com ritual complexo (fanado). Os funerais são sempre acompanhados de grandes cantilenas (choros):
E aqui uma bajuda balanta, de Mansoa. População da Guiné, localizada sobretudo entre os rios Geba e Cachéu. Dedicam-se sobretudo à cultura do arroz e à pesca. Entre os Balantas existe a propriedade individual e hereditária. O primogénito masculino é o herdeiro do chefe da família. Havendo apenas filhas, herdam os irmãos deste. Os Balantas praticam a circuncisão havendo para os dois sexos longas e rigorosas cerimónias de iniciação. Há poligamia mas uma das mulheres tem privilégios sobre as restantes. O adultério é frequente, não implicando graves represálias. Sacrificam animais em templos que são pequenas palhotas circulares em honra de uma divindade, o 'Iran'. São supersticiosos em extremo. Também se diz 'balandras':
Uma bajuda fula, de Buba. A raça Fula, é a menos negroide das raças africanas, consideram-se, eles próprios superiores aos outros. Os Fulas da Guiné que se subdividem em Fulas-Forros, Futas-Fulas e Fulas-Pretos. A raça Fula são os mais numerosos e seguir aos Balantasseguindo-se os Manjacos, Mandingas, Papéis, etc.:
Bajuda manjaca da ilha de Pecixe. Praticam a circuncisão e como se pode ver pelo seu corpo parcialmente retalhado e cujas feridas eram tratadas com cinza para realçar as cicatrizes. Os seus corpos são autênticas obras de arte rendilhadas. Bons marinheiros, os Manjacos que habitam as ilhas de Pecixe e Jata dedicam-se especialmente à pesca; os do continente à agricultura e criação de gado e a morte é sempre acompanhada de ritos funerários (choros):
Bajuda fula, de Fulacunda:
Bajuda balanta no arrozal em Mansoa:
Campune Bijagó, de Bubaque. Grupo étnico que habita o arquipélago dos Bijagós, pouco trabalhadores, embriagam-se frequentemente com vinho de palma. Noutros tempos entregavam-se à pirataria. Entre os Bijagós, existe um costume que merece especial referência: são as mulheres que escolhem os maridos depois de terem instalada a sua palhota e adquirido os bens indispensáveis à constituição da família. As mulheres podem ter os poderes dos régulos:
Uma vaqueira manjaca, de Pecixe:
Outras vaqueiras manjacas de Pecixe:
Pescadora papel do Biombo. Indígenas da raça negra da ilha de Bissau. Noutros tempos havia a escravidão. Criam gado e nas suas cerimónias e rituais religiosos sacrificam animais domésticos como cães, cuja carne é apreciada para alimentação. Existem casas distintas para cada sexo. Na pacificação da Guiné foram os Papéis, aqules que mais insistentemente e agressivamente impediram a nossa penetração na ilha:


NOTA - Estes apontamentos e estas fotos têm mais de 45 anos, por isso, podem estar desactualizados. As fotos são da Casa Mendes, de Bissau e na altura 10 fotos custavam 30 escudos.

sábado, 5 de setembro de 2009

As Eleições de 1976:

Há dias encontrei estas fotos com 33 anos. Ainda parece que estas eleições foram ontem. Como o tempo passa. O rapaz destas fotos tem hoje 40 anos. São lembranças minhas e talvez... suas também. Foto tirada em Faro em 14/7/1976: Foto tirada em Olhão em 19/7/197Foto tirada em Faro em 14/7/1976: Outra em Faro na mesma data:
Ainda em Faro mas a 19/7/1976:
Também em faro mas a 20/7/1976:
Em Faro no mesmo dia:
Em Faro ainda no mesmo dia:
Em Faro a 24/7/1976:
Em Olhão a 6/7/1976: